terça-feira, 5 de julho de 2016

Zero Time Dilemma [USA] [CIA] [Region Free]




A vida é simplesmente injusta, você não acha? A constante pergunta de Zero no novo Zero Escape também era constante na cabeça de todos os fãs das criações de Kotaro Uchikoshi nos últimos anos. Enquanto 4 anos não é um tempo absurdo entre iterações de uma franquia, a situação de Zero Time Dilemma não foi das melhores até meados do ano passado, com relatos do criador falando que não havia justificativa financeira para autorizarem a produção do término da trilogia. O último jogo esteve em um limbo de desenvolvimento sem perspectiva até que, por um investimento não esclarecido da Aksys, responsável pela localização da série nas Américas, Zero Time Dilemma foi anunciado.

999: 9 Hours, 9 persons, 9 doors, no DS, deu o pontapé inicial na criação do universo de Uchikoshi, mas foi Virtue's Last Reward, em 2012, que introduziu uma história abrangente e repleta de mistérios incompletos, prometidos a serem revelados no jogo final. E, se não está claro a esse ponto, não é recomendável começar a franquia por aqui. O início de Zero Time Dilemma contém uma recapitulação dos eventos dos jogos anteriores, mas estas servem mais como resumo aos veteranos do que introdução a novatos, entregando pontos-chave do enredo dos 2 títulos anteriores sem cerimônia, e colocando o jogador no meio de discusões e acontecimentos pseudocientíficos como se fossem (e são, neste universo), comuns.

Apesar disso, o jogo tenta ser de alguma forma acessível a passageiros de primeira viagem: ao invés de um, agora se controlam 3 personagens, nenhum dos quais presentes nos jogos anteriores. E em uma das principais mecânicas narrativas, nenhum deles sabe do que está acontecendo. O motivo é simples: a premissa coloca os 9 participantes na clausura divididos em 3 grupos, com drogas sendo administradas através dos braceletes a cada 90 minutos, colocando os personagens para dormir, e causando amnésia. Nenhum dos grupos sabe quantas vezes já acordou ou quais eventos se passaram até aquele momento, estando tão perdidos, em uma primeira instância, quanto o jogador, novato ou veterano.


Dessa forma, avançar pelo jogo consiste em escolher um dos 3 times, C, Q ou D, e um fragmento de história. Ao término do fragmento, você pode escolher outro fragmento do mesmo time ou trocar de time. Conforme se terminam os fragmentos, eles vão sendo encaixados em uma linha temporal, dando mais sentido à loucura.

Outra nova mecânica são os chamados "Decision Games". Por vezes você será questionado sobre uma decisão importante, que em momentos envolve sorte, e em outros sagacidade, ramificando os caminhos na linha do tempo e apresentando sempre consequências diferentes. Sorte, aliás, é um fator novo em Zero Escape - para dar um sentido real de aleatoriedade, alguns resultados são, de fato, randômicos. Nunca é frustrante realizar os caminhos alternativos, e a incerteza do resultado, mesmo após a decisão, ajuda na imersão e no investimento do jogador na narrativa.

Fora das seções de história, o jogo continua uma coletânea de escape-the-room. As salas a serem escapadas estão mais bem elaboradas e complexas do que nas versões anteriores, embora as soluções alternativas de Virtue's Last Reward tenham sido removidas. Apesar disso, as salas são notavelmente maiores que a do último jogo, e proporcionalmente recompensadoras.

A principal mudança de Zero Time Dilemma em relação aos anteriores está na sua apresentação. Ao invés do molde tradicional de visual novel, o jogo agora conta com cenas de corte num espaço 3D utilizando modelos de personagens cel-shaded. A resolução do 3DS faz com que partes deles sejam borrados, fazendo desta facilmente a pior versão graficamente, e o suporte ao 3D presente em Virtue's Last Reward não está aqui para compensar. Embora a mudança funcione de um ponto de vista narrativo, o baixo orçamento de um jogo que quase não existiu acabou prejudicando a nova abordagem - enquanto os modelos em si não sejam ruins (apesar da resolução), as animações são limitadas, e muitas vezes reaproveitadas.

Estas animações infelizmente acabam sacrificando o impacto de cenas que funcionariam melhor no molde antigo, em que a leitura dos eventos deixaria os acontecimentos a critério da imaginação do jogador ou do auxílio de imagens estáticas. O pacote piora quando os atores sofrem para encaixar as performances às animações travadas. Felizmente a grande maioria desses momentos conta com excelente jogo de câmera e angulações, escondendo as limitações técnicas redirecionando a atenção para um ponto específico ou focando no áudio, que conta com atuações muito boas, tanto de novatos quanto antigos. A parte sonora também conta com uma trilha fantástica, que embora abuse dos temas mais famosos da série, também apresenta novas melodias de igual calibre.


Nenhum desses problemas conseguem tirar o brilhantismo de Zero Time Dilemma. São pormenores chatos que são logo esquecidos quando o jogo se recoloca novamente no caminho de acontecimentos surreais e clausuras repletas de quebra-cabeças. Zero Escape 3 é, assim como os jogos anteriores da franquia, difícil de desgrudar, com mistérios permanecendo na cabeça dos jogadores mesmo depois de fechar o 3DS. É o tão esperado episódio final, que re-apareceu quando muitos perderam a esperança. Às vezes, a vida pode sim ser justa.

 Trailer:


Informações do Game:
Desenvolvedora:  Chunsoft
Distribuidora: Aksys Games
Gênero: Visual Novel / Terror / Drama
Lançamento: 28.06.2016
Nota IGN: 9,2

Informações da ROM:
Original Release: Zero_Escape_Zero_Time_Dilemma_USA_3DS-REEXIT
Região: USA
Idiomas: Inglês
Tamanho: 1.18 GB
Firmware mínima: 10.3
Patch para CFW 4.x:
Patch Region Free: Sim
Patch Online: Não

MEGA key: bR8TxjpIznc6hzT-R88ajx6arT12HGAvvq8tjIXu40o

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